Japão cria tecnologias para acalmar consumidor angustiado

R7.comA cada dia, surgem mais aparelhos que dão conselhos sobre a saúde e os hábitos do usuário

Os consumidores japoneses não sabem para que santo apelar: a crise econômica mudou seus hábitos, e eles se sentem fragilizados.

Mas em vez de buscarem coisas que apenas os divirtam, eles estão mais interessados em tecnologias que os tranquilizem – e é justamente neste nicho que os fabricantes de eletrônicos do país estão investindo.

Nos telefones celulares, já se tornaram populares serviços que enviam mensagens do tipo “seu filho chegou bem à escola”, “vovó saiu de casa” ou “vai chover daqui a dez minutos, não esqueça de seu guarda-chuva”.

Mas isso é apenas o começo: redes com sistemas de identificação e localização de todo tipo estão evoluindo rapidamente para prever ou prevenir cada vez mais e melhor.

Tudo para deixar os japoneses mais calmos, explica um pesquisador da Panasonic.

– Por meio de um sistema de etiquetas eletrônicas ativas conectadas a uma rede, os usuários recebem automaticamente informações, e, em função de sua localização precisa, informações sobre seus parentes ou sobre um acontecimento de seu interesse.

No Japão, onde a população de idosos é grande e cresce a passos largos, onde os pais dão enorme importância à vigilância dos filhos e onde terremotos e outras catástrofes naturais são frequentes, esses dispositivos são considerados fonte de tranquilidade e bem-estar social.

Cada vez há mais aparelhos capazes de dar conselhos pessoais sobre a saúde e os hábitos dos usuários: “seu coração está batendo muito rápido, caminhe mais devagar”, “você engordou um quilo esta semana, talvez devesse comer mais verduras e beber menos cerveja”.

O presidente da Panasonic, Fumio Ohtsubo, explica que é possível ir ainda mais além.

– Se você instalar pequenos sensores no corpo de uma pessoa, é possível acompanhar sua condição física de maneira permanente  e dar recomendações benéficas para sua saúde e, no fim das contas, para a sociedade.

Pensando da mesma forma, a companhia especializada em eletrônica Oki criou um sensor que pode ser fixado no braço e permite, por exemplo, analisar se a pessoa está realizando sua sequência diária de exercícios físicos corretamente – esta série é divulgada há anos em uma estação de rádio japonesa.

Em outra iniciativa parecida, a maior operadora de celulares do Japão, a NTT Docomo, se associou a vários fabricantes de balanças pessoais e outros aparelhos de medição física para oferecer um serviço de controle do peso e de medidas corporais de toda a família.

Assim, qualquer um pode saber como anda sua saúde pelo celular ou pelo computador.

Os eletrodomésticos também não vão ficar de fora dessa tendência: ele devem se tornar cada vez mais inteligentes – muito mais do que os consumidores que deixam a luz de um quarto acesa depois de sair.

Graças a sensores de presença e contexto, as luzes não só são capazes de apagar automaticamente se não há ninguém no lugar, como também de se comunicar com outros eletrodomésticos como o aparelho de TV e o ar-condicionado para registrar uma situação e se adaptar a ela na hora, conta Ohtsubo.

O consumidor japonês continua exigente, e aprecia comprar bens de consumo de marcas famosas e de alta complexidade técnica, mas presta cada vez mais atenção às vantagens práticas que eles podem oferecer, conta Ohtsubo.

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